Cuidados com a dentição do Cavalo

     Problemas como dente de lobo e desgastes nos molares podem fazer com que animais não mastiguem direito e, assim, percam peso.

     Você sabia que os dentes dos cavalos crescem continuamente e que esses animais precisam ir ao dentista com a mesma frequência que os humanos? Equinos com dentição errada têm problemas de comportamento e até mesmo de ingestão de alimentos. A doma do cavalo só começa depois que ele tem sua primeira consulta com o dentista.

     Problemas como dente de lobo, de tão pequenos podem até passar despercebidos para tratadores e proprietários menos experientes. Mas para os animais, chega um momento em que ele começa a incomodar e a única solução é extrair. O dente de lobo é muito complicado, tem que tirar porque é um dente pequeno, de raiz pequena e a embocadura pega diretamente nele. Assim que a embocadura pega nele, dá um choque e causa muita dor no animal. Às vezes o proprietário pensa que é manha do animal, mas não é. É dor mesmo que ele está sentindo.

     O procedimento correto requer tronco de contenção, anestésico e equipamentos específicos como abridor de boca, espátulas e boticão. A partir do primeiro ano de idade a dentição dos cavalos já deve começar a ser observada. Cerca de 95% dos equinos apresentam o dente de lobo. Além disso, com o desgaste natural dos pré-molares e molares vão surgindo pontas muito finas nas laterais dos dentes que cortam a bochecha e a língua. Essas feridas, entre outras coisas, atrapalham a ingestão de alimento e o animal pode até perder peso.

     Para resolver o problema das pontas, que são muito pequenas e afiadas, é preciso lixar os dentes pontiagudos, liberando a oclusão da mordida do animal. A correção deve ser feita de seis em seis meses em animais jovens, e uma vez por ano nos adultos. Além do comportamento agressivo durante o uso da embocadura, cavalos que têm problemas de dentição não conseguem mastigar o alimento direito, deixam a comida cair da boca e consequentemente não tiram todo proveito da nutrição.

     Mesmo que o proprietário ofereça ração de boa qualidade, faça suplementação, e o animal é bem cuidado, mas não engorda. É porque ele acaba perdendo muito alimento na boca, não consegue ter uma absorção boa e, assim, não consegue engordar.

Cuidados com os potros recém nascidos

     O nascimento é a passagem da vida intra-uterina ao mundo exterior. Na vida fetal os filhotes têm facilidade para se alimentar, são protegidos pela mãe, têm temperatura constante e mais alta que o ambiente, etc. O nascimento faz com que a vida intra-uterina seja trocada por um ambiente mais hostil, com predadores, variações de temperatura, necessidade de se alimentar por conta própria entre outras características.

     Os cuidados com os potros começam ainda na vida intra-uterina, principalmente no terço final da gestação. A égua necessita de isolamento em um piquete, com alimentação adequada à parturiente e bem próximo do parto, requer um piquete maternidade. É importante lembrar que quanto mais se artificializa a criação dos equinos, mais aumenta a fragilidade dos filhotes.

     O parto das éguas ocorre preferencialmente durante a madrugada, o que dificulta o acompanhamento e “facilita” a proteção do neonato, evitando assim qualquer perturbação. O início do parto é marcado geralmente por uma queda de temperatura corpórea da égua.

     O parto pode ser dividido didaticamente em três estágios: o primeiro é de inquietação com dor abdominal. O segundo compreende a ruptura da bolsa, o início do nascimento e o ato de respirar. O terceiro estágio é a liberação dos envoltórios fetais (placenta) que leva de trinta minutos a três horas do início do parto.

     Neonato é o animal recém nascido. A duração deste estado é de 48 horas a 4 meses, no caso dos mamíferos. A variação depende da condição de sobrevivência do filhote sem a mãe. Se ocorrerem distúrbios durante a gestação ou parto, o filhote deve ser acompanhado, no mínimo, por 24 a 48 horas pós-parto. Uma gestação normal vai de 335 a 342 dias.

     Vale lembrar que a condição da saúde materna e status corpóreo influenciam diretamente sobre a condição do feto. As alterações mais graves que ocorrem são: distocias (mau posicionamento fetal), descolamento precoce de placenta, inércia uterina, idade materna avançada, produção insuficiente de leite e mastite.

     O exame clínico do potro recém-nascido não difere do exame de um adulto, porém os parâmetros são outros. A importância deste está na necessidade da rápida atuação do médico veterinário nos casos de emergências neonatais.

     Principais cuidados com o recém-nascido

• Sistema respiratório
  Quando o feto ultrapassa a pelve da mãe, ocorre a dilatação do pulmão seguida da aspiração do ar para dentro das vias aéreas, o diafragma se contrai e se forma a pressão intra-torácica negativa.
  Alguns fatores estimulam a respiração: ausência de imersão, estímulos da mãe (lamber), frio, luz, diminuição da pressão de O2 e aumento de CO2, etc. A primeira inspirada é a mais difícil.
  A freqüência respiratória no recém-nascido é de 50 a 60 movimentos/minuto. Em casos de alterações, verificar se há uma camada mucosa revestindo a cavidade nasal e/ou oral. Se houver, removê-la com pano seco e limpo.
  Se ocorrer dificuldade respiratória por conteúdo líquido, é necessário massagear as narinas, friccionando da cabeça ao focinho. A respiração pode ser estimulada elevando o posterior do animal, friccionando o dorso com pano limpo ou palha, batidas com a palma das mãos na parede torácica ou jato de água fria.
  Nos casos de não se restabelecer o padrão respiratório em 2 a 3 minutos, utilizar oxigenioterapia para evitar morte ou danos cerebrais.

• Sistema cárdeo-circulatório
  O sistema circulatório na vida intra-uterina é bastante diferente de animais recém-nascidos. A troca gasosa é realizada pela placenta e não pelo pulmão. Artérias e veias umbilicais involuem formando cordões fibrosos delgados.
  Se ocorrer algum problema com falta de oxigenação nos recém-nascidos, acarretará o retorno do sistema circulatório fetal, o que se torna fatal após o nascimento.
  O exame das membranas mucosas é de suma importância: devem se apresentar róseas e úmidas, e o tempo de preenchimento capilar deve ser igual ou inferior a 2 segundos.
  No momento do nascimento, a frequência cardíaca é de 60 a 80 batimentos/minuto, entre uma e doze horas pós-parto ela é de 120 a 140 batimentos/minuto e após 12 horas, 30 a 40 batimentos/minuto.

• Temperatura
  A temperatura retal do potro deve ser aferida e estar entre 37,5 - 38,5ºC. Um desvio acima ou abaixo é preocupante e requer a presença do veterinário.

• Cordão umbilical
  Após o término do parto, a égua permanece deitada; e é assim que tem de ser. Este tempo serve para que diminua a circulação sanguínea do cordão umbilical. No momento em que ela se levanta, o cordão se rompe.
  Se a égua se levantar e o cordão não romper, deve ser “cortado” por um médico veterinário dentro dos procedimentos de assepsia, na linha de destacamento natural.
  O coto umbilical deve ser embebido em iodo a 2%, tanto por dentro como por fora. Este procedimento auxilia na prevenção de infecções ascendentes que “entram” pelo cordão ainda não cicatrizado. O curativo deve repetido diariamente até que a ponta do cordão caia ou este se feche. A infecção deste cordão umbilical e dos vasos ali localizados são denominadas onfaloflebites.

• Excreção de mecônio
  Mecônio são as “fezes” (secreções, fluídos, células e bile) produzidas e acumuladas no intestino durante a vida intra-uterina, a partir da segunda metade da gestação. A coloração vai de marrom amarelada a marrom escura.
  A liberação do mecônio deve ocorrer entre 4 a 5 horas pós-parto. Se isto não ocorrer deve-se interferir, do contrário o potro manifestará cólicas abdominais.
  Os sinais clínicos de retenção do mecônio são notados entre 6 a 12 horas pós-parto e incluem a redução da frequência de mamadas, dor ao defecar, cauda erguida, cólica, decúbito dorsal e inquietação.
  O tratamento deve ser realizado por um médico veterinário logo aos primeiros sintomas. Após poucas horas da defecação, ocorre a primeira micção. Se for notada a eliminação de urina pelo umbigo, o potro requer mais atenção, pois ocorre a persistência do úraco, sendo assim o veterinário deve avaliar a condição e optar por aguardar ou promover o fechamento cirúrgico.

• Amamentação
  O leite da égua é o alimento essencial aos recém-nascidos, tanto em quantidade como em composição. Só é necessário que se avalie a quantidade de anticorpos nele presente.
  O reflexo de sucção do filhote começa a partir da manutenção do potro em pé, o que demora em torno de uma hora.
  É necessário que se observe se o potro realmente conseguiu localizar o úbere da mãe e está sugando o primeiro leite, do contrário, são indicados exame clínico e ingestão forçada do colostro. O colostro é o primeiro alimento (primeiro leite) do neonato, tanto do ponto de vista nutricional como imunológico. A dose recomendada é de 1 a 2 litros divididos em mamadas de hora em hora, com a quantidade de 150 ml. A ingestão do colostro é mantida até 12 horas do nascimento.
  O período mais crítico da vida do recém nascido são as primeiras 24 horas e este deve coincidir com a ingestão do colostro (até 6 horas do nascimento), pois nos equinos, pelo tipo de placentação o neonato não recebe nenhum tipo de anticorpos durante a gestação. Estes anticorpos devem ser absorvidos pela mucosa intestinal e são eles que vão garantir a imunidade até a idade de aproximadamente 6 a 8 meses.
  As éguas produzem em média 15 a 18 Kg/dia de leite. A glândula mamária não produz anticorpos, apenas os concentra (originam do sangue). No caso de animais prematuros, órfãos ou rejeição da égua, o recém-nascido deve receber anticorpos do colostro de outro animal. O ideal é que o haras, quando de criação, mantenha um banco de colostro para eventuais problemas, e até de leite, e em último caso usar o aleitamento artificial (sucedâneos do leite).
  O volume de colostro retirado da égua pós-parto, para formar o banco, pode variar de 150 a 200 ml. A conservação é feita no freezer de -15º a -20º C.
  A quantidade de leite “artificial” deve ser de aproximadamente 10% do peso do potro que mama a cada 2 horas, porém conforme a quantidade de leite por mamada aumenta, o intervalo entre elas também aumenta. O aleitamento artificial pode ser fornecido em mamadeiras ou baldes.

• Isoeritrólise neonatal
  É uma síndrome que ocorre nos potros recém nascidos por incompatibilidade sanguínea do potro com a égua. É mediada a partir dos anticorpos maternos, que são absorvidos através do colostro, e que respondem contra os eritrócitos (hemácias) do potro. Clinicamente nascem normais e após a primeira mamada se apresentam deprimidos, fracos e com o reflexo de sucção diminuído após 12 a 72 horas.
  A gravidade do quadro é determinada pela quantidade e atividade dos anticorpos absorvidos. Mais tardiamente os sintomas são: taquicardia (aumento da frequência cardíaca), taquipneia (aumento da frequência respiratória) e dispneia (dificuldade respiratória). A mucosa oral vai de pálida à ictérica nos potros que sobrevivem 48 horas.
  Casos muito agudos poderão evoluir à morte. É importante lembrar que fêmeas que manifestaram a síndrome não deverão amamentar na gestação seguinte. Assim é necessária fonte alternativa de colos­tro.

• Septicemia neonatal
  É a principal causa de óbito e consequentemente perdas econômicas. A taxa de sobrevivência dos acometidos é baixa e quase sempre acaba por causar danos irreversíveis, infecções localizadas ou atrasos no crescimento.
  As infecções podem ocorrer na vida intra-uterina ou logo após o nascimento. Após o nascimento, a causa mais comum é a falta de imunidade passiva recebida através do colostro.
  Os principais sintomas são desidratação, apatia, movimentação incoordenada que podem se agravar a convulsões e morte.

• Fatores normais
  Em média, 7 dias pós-parto a égua apresenta o primeiro cio, conhecido como cio do potro. Justamente nesta fase o potrinho passa por um quadro de diarreia que dura de 2 a 5 dias.
  Algumas pesquisas demonstram que está diarreia é resultado de uma mudança na flora intestinal. Não há necessidade de tratamento, mas o uso de probiótico oral tem sido recomendado em alguns casos.
  Após o segundo mês de vida, o potro já pode iniciar a alimentação a base de rações (concentrados), específica para a idade. Também nesta fase este já ingere feno, capim e água de boa qualidade.
 Em torno de 4 a 6 meses de idade são desmamados. O que determina o período de desmame é a taxa de crescimento e a capacidade da ingestão do concentrado. Nesta fase já deve ser vacinado, vermifugado, e se necessário casqueado. A partir do desmame o potrinho já se torna praticamente um “cavalo” no que se refere às características de alimentação e comportamento.


Fonte: ABQM
Escrito por: Danielle De Maria

Sinais de comunicação do Cavalo

     Cavalos expressão o que sentem ou o que querem transmitir ao dono, por sinais de comunicação corporais, por sons emitidos por eles, pelo posicionamento das orelhas, com movimentos de cabeça, pernas e face. Cabe a você entender para ter uma melhor relação com seu cavalo.

     Sinais de comunicação corporais

 Movimento de repressão: o cavalo coloca o corpo na frente de outro animal, impedindo-o de avançar e é utilizado por animais corajosos e dominantes.
 Empurrão: o cavalo empurra com o ombro, como uma forma violenta de dominação.
 Apresentação da traseira: o cavalo demonstra que vai escoicear.

     Sinais de comunicação com sons

 Relincho: som longo, alto e agudo e usado para chamar a atenção sobre algo ou alguém.
 Resfôlego: som originado da saída bruta de ar pelas narinas, que trepidam. Serve para limpar as vias respiratórias, aumentando a oxigenação. Significando curiosidade e medo ao mesmo tempo, quando o cavalo vê algo novo. Outras vezes é usado para alertar os outros animais da novidade.
 Guincho: som emitido com a boca fechada, tendo baixa frequência em encontros "românticos" entre éguas e garanhões. Significa sinal de defesa ou para dizer "cai fora".
 Ronco: som grave, curto e descontínuo. Pode ser um comprimento, namoro ou maternal. Quase sempre pode ser um reconhecimento, sinal leve de excitação, viu um cavalo amigo, uma pessoa querida, um alimento, uma égua ou o seu potro.
 Ronco de namoro: considerado o mais excitante, acompanhado pelo bater dos cascos e o movimento da cabeça, pescoço e cauda. Podendo reagir assim na aproximação de seus donos.
 Urgido: som semelhante ao resfôlego, mas sem trepidação, tendo o sopro como som mais suave e com uma mensagem menos tensa. Significa apenas "Hum! O que é isso?!"
 Suspiro: saída longa de ar pelas narinas, demonstrando tédio, mal estar digestivo ou angústia.

     Sinais de comunicação com as orelhas

 Através das orelhas, podemos saber onde está direcionada a atenção do cavalo. Dependendo para onde elas estiverem apontadas, poderá nos dizer seu ânimo ou sua tensão.

 Inclinação aguda para frente: tensão, curiosidade ou boa intenção.
 Caídas para o lado: aborrecimento ou cansaço.
 Abaixadas e voltadas para trás: animosidade ou agressão.
 Em pé e voltadas para trás: significa que existe a presença de um dominador, que pode ser o treinador ou cavaleiro e indica submissão, obediência, e que a voz de comando é utilizada no adestramento e serve como uma ajuda.

     Sinais de comunicação com a cabeça

 A cabeça mostra, através de movimentos pendulares, que existe alguma insatisfação, uma vontade de sair da situação em que está. Quando montados, demonstra desagrado com a embocadura ou com o exercício imposto. Mas, muitas vezes, o movimento com a cabeça serve apenas para aumentar o campo de visão do animal ou para chamar a atenção de alguém. A investida ou empurrão com a cabeça é também uma forma de atrair a atenção ou talvez a demonstração de não gostar de alguma coisa que está vendo ou sentindo.

     Sinais de comunicação com as pernas

 Escavar o chão: desejo de achar algum alimento ou pedindo-o ao seu dono. Ou reconhecimento e como desejo claro de continuar algum movimento, mostrando algum tipo de frustração.
 Levantar a pata dianteira: significa ameaça, e início ao coice frontal.
 Levantar a perna traseira: ato defensivo, anterior ao coice.
 Coice: forma de proteção, agressão, dominância e força.
 Bater e pisar: demonstra que é o chefe, é uma forma de protesto.

     Sinais de comunicação com a face

 Abocanhar: o animal puxa o canto da boca, abrindo-a e fechando-a como se fosse morder. Mostrando o lado brincalhão, querendo dizer "olha, estou aqui e sei ser simpático!".
 Mordiscar: mordiscar uns aos outros (pelo e crina) significa cordialidade entre eles, a maneira de encontrar amizade.
 Abrir os lábios e não morder: também significa uma brincadeira.
 Mordida: forma de defesa.
 Boca contraída: angústia ou dor.
 Lábios caídos: mostram relaxamento.
 Os olhos demonstram medo, excitação, curiosidade, dor e interesse.
 Narinas dilatadas em estado de excitação, esforço ou emoção intensa.

  Para chegar a um convívio mais completo com seu cavalo, precisamos conhecer os sinais que ele transmite a você. O cavalo faz sua parte de maneira natural e espontânea, expressando o que sente, avisando com antecedência do que gosta ou não, deixando claro sua posição de submissão ou obediência, como também alerta sobre sua postura de líder em determinadas situações.

éguas que abortam

     A perda de uma gestação para uma égua não depende somente dela, mas também do manejo utilizado pelo proprietário, como: condições ambientais (temperatura), nutrição (níveis adequados de proteína), grau de infestação por parasitas, ingestão de plantas tóxicas, stress materno, dentre outras causas. Podem ser divididas em morte embrionária, aborto ou nascimento prematuro, dependendo do estágio da gestação.

     A morte embrionária pode ocorrer entre o momento da fertilização até quarenta dias depois, sendo uma das mais importantes causa de redução de fertilidade em éguas. O maior período relacionado se dá entre a segunda e terceira semana de gestação (período de reconhecimento materno da gestação). Quando ocorre antes desse período, a égua retorna ao cio normalmente.

     A perda embrionária ocorre após a segunda e terceira semana de gestação. Estão estimadas em 5% nas éguas consideradas férteis, podendo chegar em 70% nas éguas não férteis. O diagnóstico pode ser realizado através da palpação retal e exames ultrassonográficos. A ausência da vesícula embrionária ou alterações na sua forma (diminuição do diâmetro e irregularidades no contorno), são indícios de perda precoce do embrião.

     Dentre os fatores mais importantes responsáveis pela morte embrionária, são: idade da égua, stress, subdesenvolvimento do aparelho reprodutor, problemas genéticos, desequilíbrios hormonais (deficiência de progesterona), falha no reconhecimento materno fetal, má nutrição, local de fixação da vesícula embrionária, agentes infecciosos, clima, toxemias e administração de alguns medicamentos.

     Outra causa são que éguas gestantes podem perder seus potros se forem mantidas juntas com machos. Ao envia-las para estábulos para se acasalarem com os garanhões, quando retornam grávidas, se envolvem em "relações sexuais promíscuas" com os machos de seu próprio estábulo, para disfarçar a paternidade do potro. Mas quando isso não é possível, pode ocorrer o aborto.

     Cientistas acreditam que esse comportamento sexual estranho pode ter evoluído por causa do risco muitas vezes vistos em espécies que vivem em grupos sociais machistas, nos quais os machos matam filhotes de outros machos em uma luta pela supremacia.

     Um estudo feito, mostrou que as éguas acasaladas com "garanhões estrangeiros" (de outros estábulos) e abortam em quase 1/3 dos casos. Já as éguas acasaladas com os garanhões do próprio estábulo, não abortam.

     Éguas que foram separadas dos machos, fisicamente incapazes de disfarçar a paternidade de seu potro tinham mais chances de abortar. A atitude da égua impede um desperdício de energia em produzir uma prole.

     Embora o mecanismo por trás dessa alta taxa de abortos equinos ainda não seja conhecido, os pesquisadores afirmam que o estudo tem uma mensagem muito prática para os criadores de cavalos: o transporte de éguas para o acasalamento ou inseminação artificial exige cuidado. Trazê-la de volta a um ambiente com machos é obviamente prejudicial, sendo provavelmente uma das principais causas do alto percentual de interrupção de gravidez em animais domésticos.

  Mas, apensar das informações, somente um veterinário especializado poderá dizer corretamente o motivo de um aborto.

O inverno para os cavalos

     Ao chegar o inverno, dependendo da região, o pasto não oferece todos os nutrientes que o cavalo precisa por causa do frio e é nesta época do ano que o preço dos volumosos (feno/alfafa/capim) sobe, mas o proprietário deve estar focado na alimentação de seu animal. Ao usar volumoso de baixa qualidade pode gerar cólicas por compactação.

     Além da cólica, outras doenças como Gripe Equina (causada pelo Influenza Vírus), Adenite Equina (o popular garrotilho) e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) - que causa um estado alérgico crônico com crises respiratórias.

     No caso da Gripe e da Adenite, os animais devem ser isolados dos outros, pois são comuns onde há grande aglomeração de cavalos e é recomendado a vacinação dos animais que vivem em hípicas, grandes haras e os que participam de feiras agropecuárias. Quando se adquire um novo animal, é necessário deixa-lo em quarentena para verificar se não tem nada de errado com ele para depois poder junta-lo com os outros cavalos. Quanto a DPOC, o prevenção é feita com mudanças no manejo do animal, que pode ser evitar friagens e choque térmicos, manter a cama limpa e evitar o contato do animal com alérgenos (ex: poeira, pólen..). Oferecer feno úmido e capim verde é de vital importância.

     A zona térmica de conforto do cavalo é bastante diferente com a dos humanos, quando são animais são soltos no pasto, os equinos uma vez aclimatados suportam muito melhor o frio que nós, isto por que os cavalos tem mecanismos próprios de defesa, os pelos densos principalmente do dorso e no posterior funcionam como um escudo climático de proteção, evitando que ele não sinta frio. Isto é claro desde que ele não se molhe. Por isso é importante ter nos piquetes árvores ou algum outro tipo de proteção. Já um animal em treinamento esportivo, a pelagem grossa torna-se um problema já que assim se torna a secagem mais difícil depois dos exercícios. Os de pelos longos que tomam banho constantemente são mais susceptíveis a doenças de pele pela demora do pelo secar que facilita o aparecimento de bactérias e fungos. O pelo longo e molhado também pode causar problemas respiratórios. Lembrando que a pelagem grossa só protege o animal se estiver seca, pois molhada só irá fazer que o animal se resfrie mais rapidamente.

     Levar em conta as características de cada animal é fundamental para saber o que deve ser feito,  não se pode falar apenas em cavalos de esporte, mas outros animais no inverno, engrossam o pelo ao ponto de causar um transtorno no manejo. Outros ficam com a pelagem tão grossa que ficam parecendo ursos. Alguns são mais sensíveis ao frio, outros nem tanto. Mas isso depende de cada animal.

     Ao tosquiar seu cavalo, é necessário que ele use mantas que podem ser feitas de nylon, lã, soft, fleeze, entre outros materiais, além de aquecerem e protegerem o animal do frio, também evitam o espessamento dos pelos. Mas fique atento na hora de retirar a manta térmica do cavalo para que não ocorra um choque térmico.

    Aos cavalos soltos no pasto, nas temperaturas baixas eles tendem a ficar mais agrupados, em situações assim, não é raro vê-los correndo juntos para gerar calor e logo em seguida se agruparem para se aquecerem juntos.

     Se você for trabalhar com seu cavalo durante o inverno, prefira os horários mais quentes do dia, sem ser o início da manhã e o fim da tarde. Quando se trabalha no frio, é recomendável colocar uma capa que transpire sobre as costas do animal e caminha-lo por algum tempo. Quando tiver aquecido, deve se retirar a capa e prosseguir com o trabalho. O mesmo deve ser praticado no treino, caminhe com ele para ele esfriar e a mesma capa pode ser colocada nas costas do cavalo, região sensível a ele.

     Cuidados devem ser tomados, ao caminhar com seu cavalo por 10 minutos faz com que as articulações se lubrifiquem, os músculos se aqueçam e soltem. O ideal nesse caso é fazer exercícios de alongamento e flexionamento para que auxilie nos movimentos mais exigentes para o cavalo. Mas você precisa-rá de mais tempo para conseguir aquecer os grandes grupos  musculares e conseguir o fluxo de sangue para um esforço mais intenso. Após o treino, deve se impedir que os músculos esfriem rapidamente. A utilização de capas transpirantes e longo período de passo são recomendados.

     Em questão ao banho, o ideal é não molhar o cavalo quando está muito frio. Evitar que ele transpire demais no trabalho é uma alternativa, mas nem sempre é possível. Para isso, escolha a hora mais quente do dia para dar o banho. Alguns lugares existem água quente e um sistema de aquecimento que facilita a secagem do pelo. Caso não houver, coloque uma capa telada por baixo da capa de fleeze para que permita que o pelo seque mais rápido. Mas nunca dê banho no seu cavalo após de submetê-lo a um trabalho que sejaintenso ou não, pois causará um choque térmico no animal.

REFLEXO FLEHMEN

O reflexo (reação, resposta ou efeito) flehmen (do alemão flehmen, que significa erguer o lábio superior) é o nome que se dá, em zoologia, à reação presente nos mamíferos ungulados, felinos e outros, a fim de facilitar a percepção de feromônios e outros cheiros pelo órgão vomeronasal.

A flehmen envolve posturas características: o animal fica ereto, estende o pescoço e ergue a cabeça, abre bem as narinas, com pequena abertura da boca com enrolamento do lábio superior, muitas vezes expondo a gengiva superior. O termo foi usado primeiramente por Scheneider, em 1930.

O reflexo pode estar ou não presente antes do ato copulatório do animal, como forma de perceber o macho a disponibilidade da fêmea para a reprodução.

A reação ocorre nos machos quando excitados pelo cheiro da secreção vaginal ou urina da fêmea, sendo ainda objeto de discussão se tal reflexo, bem como o movimento de extensão da cabeça que o acompanha, ajudam ou não os odores a chegarem até o órgão vomeronasal (experimentos com o bloqueio de seus dois ductos alteraram mas não impediram a ocorrência do reflexo em touros expostos aos feromônios de vacas no cio).

Em algumas espécies, contudo, a reação foi observada durante encontros entre animais do mesmo sexo - entre fêmeas ou entre machos; também há relatos de flehmen em algumas espécies entre uma fêmea e um recém-nascido ou ao líquido amniótico. Neste caso o reflexo faz parte do reconhecimento individual materno e, nos casos anteriores, como reconhecimento do status social, bem como para revelar o nível de hormônios do outro indivíduo.

Nos seres humanos não está descartada a hipótese de que o sorriso na fase da conquista possa ser uma reação flehmen, tal como a "careta" que esta produz nos outros animais; o mesmo poderia ocorrer com o próprio beijo.

Cólica equina 

Cólica equina

Cólica Equina é classificada como doença que causa dores abdominais nos equinos resultantes de afecções no aparelho digestivo destes animais ou em outros órgãos.

São divididas em cólicas primárias e secundárias, de acordo com sua origem:

Cólica Primária ou verdadeira: quando é oriunda da distensão do estômago ou do intestino. Pode ainda ser estática, no caso de acúmulo de alimento, gás ou líquido, ou transitória, quando houver uma distensão periódica local, proveniente de um espasmo e aumento dos movimentos peristálticos do intestino. Os acúmulos estáticos são classificados como cólicas físicas, enquanto que as distensões transitórias são classificadas como cólicas funcionais.

Cólica Secundária ou falsa: quando a causa da cólica provém de afecções do peritônio, baço, rins, intoxicações alimentares e outros órgãos internos.

Devido ao reduzido tamanho do estômago do cavalo, na maior parte das vezes, a origem da cólica está em uma alimentação errônea, como, alimentação má distribuída, alimentos muito triturados, alimentação antes da realização de trabalhos, ração desbalanceada.

Os tipos de cólicas que mais afetam os equinos são:

Cólica de impacto: quando há uma obstrução, geralmente no intestino grosso, por uma sobrecarga de alimento fibroso não-digerível.
Cólica por gases: ocorre mais frequentemente no intestino grosso, devido ao estiramento do intestino, que leva à dor abdominal.
Cólica espasmódica: quando há exacerbada contração peristáltica no sistema gastrointestinal dos equinos, devido à um acúmulo de gás dentro do aparelho digestivo destes animais.
Cólica causada por parasitas: quando há uma obstrução devido à um grande número de parasitas, como o Parascaris equorum.
Colite: quando há inflamação do intestino grosso.
Deslocamento ou torção gástrica: quando o intestino localiza-se em uma posição anormal do abdômen, podendo muitas vezes torcer, isto recebe o nome de vólvulo.

Os sinais clínicos mais evidentes são uma evidente inquietação do animal, que passa a realizar movimentos de raspar o chão, sapatear, escoicear o ventre ou por deitar e levantar frequentemente. Passa a olhar o flanco, rolar no chão, deitar de costas, passando a sentar de forma semelhante ao cão por um longo período de tempo. Adota uma postura anormal, que recebe o nome de “cavalo pensador”. Em casos de animais castrados, eles passam a expor o pênis sem urinar; urinam mais frequentemente e em pequenas quantidades; bate continuamente na água sem bebê-la.

Na fase inicial a dor é intermitente, podendo durar cerca de 10 minutos, com intervalos de relaxamento. Nos casos mais graves a dor é sempre contínua e pode ocorrer a adição de sinais de choque, sudorese abundante, respiração ofegante e movimentos involuntários.

De acordo com a atitude do animal, há a possibilidade da dedução do local da dor. Quando o animal adota a posição de “cavalo pensador” (membros posteriores afastados), pode indicar sobrecarga do cólon; deitar com os membros para cima indica a necessidade de aliviar a dor no mesentério. Se houver distensão de abdômen (o que não é comum em cólica equina), provavelmente há uma distensão do ceco ou cólon causada pela presença de gás; vômito e regurgitação pelas narinas de conteúdo intestinal é um sinal grave que sugere distensão gástrica. É comum observar um aumento da frequência respiratória, já uma dispneia em forma de soluço aparece nas fases finais, quando o choque e a desidratação atingem seu pico máximo. A defecação pode ser observada, mas é de difícil interpretação, pois antes de obstrução o animal ainda pode ter fezes no reto e pode eliminá-las várias vezes antes de observas-se o sintoma mais comum, que é reto vazio com mucosa aderida.

É muito importante que seja feito um diagnóstico precoce, quando as fezes ainda estão sendo eliminadas, quando há a presença dos ruídos intestinais e quando há um sintoma retal positivo. As alterações na frequência cardíaca e outros sintomas cardiovasculares devem ser avaliados de hora em hora.

O tratamento desta afecção depende da natureza e sede da lesão. O objetivo do tratamento é eliminar a causa e aliviar a dor. É importante que o médico veterinário saiba indicar qual tratamento é recomendado para cada caso, se médico ou cirúrgico. Na grande maioria dos casos, as cólicas são resolvidas com tratamentos médicos adequados.

A prevenção é feita com um manejo adequado, especialmente no bom cuidado com os dentes, no fornecimento de alimentos que possam ser digeridos pelo intestino do equino e no controle de parasitas intestinais.